
Manoel Targino e Raimundo Targino, filho e neto do patriarca Francisco Targino da Costa, respectivamente meu pai e primo. Primo? Não! Eu cresci e me acostumei a chamá-lo de Tio Raimundo e a pedir-lhe a bênção, porque essa era a imagem que eles passavam para todos nós. Passavam a imagem de dois grandes irmãos muito parecidos em suas maneiras de ser e de agir.
Em julho de 2011, perdemos Manoel Targino (Badu) meu querido pai aos 87 anos de idade. Em seu velório escutei depoimentos de pessoas que diziam morreu o pai dos pobres da nossa época em Soledade. Outros filhos por afinidade compareceram para prestar a última homenagem a quem eles consideravam de pai por terem sido ajudados e acolhidos em momentos de dificuldades em suas vidas.
Ao final de 2011, perdemos Raimundo Targino, o meu primo-tio, sobrinho do meu pai a quem ele considerava irmão. Tio Raimundo, assim como Tio Badu como era conhecido meu pai, não tinham apego as coisas materiais. O que tinham não lhes era precioso se não pudessem compartilhar com quem deles precisassem. Viveram assim, serviram a familiares e a comunidade de Soledade. Acho que aprenderam com nossos patriarcas que passaram a nossos pais a necessidade de se ajudarem para enfrentarem as grandes dificuldades, tendo em vista que pertenciam praticamente todos a uma grande família – a família TARGINO - a qual honraram com as suas vidas íntegras, pautada na boa conduta.
Por fim estendemos a nossa singela homenagem a outros grandes homens e mulheres que nos deixaram órfãos recentemente: Tio Odilon Targino, Tio João Martins, Tia Preta, Meu Padrinho Natin Targino, Tio Lôla e outros que merecem a nossa homenagem (e aí no meio tem outros primos-tios).
Cabe ainda registrar repúdio à Câmara Municipal de Apodi que manifestará sua total falta de sintonia com a comunidade de Soledade, no quesito homenagem, pois através de Projeto de Resolução aprovado pelos senhores vereadores homenageará um cidadão mossoroense, quando da inauguração da UBS-Unidade Básica de Saúde a ser inaugurada no Distrito. Isso para mim é uma forma de “desomenagear” (deixar de homenagear) os grandes vultos da nossa comunidade.
Por: Vandilson Targino
Vandilson me fez lacrimejar os olhos agora. Mesmo tendo perdido meu pai aos quase cinco anos de idade (março/1975), sempre tive todos os citados acima, junto com eu avô Miguel Preto a referência de honestidade, hombridade, desprendimento e amizade. Sempre que um deles foi morar com o Pai, me sentí um pouco mais órfão. Para minha tristeza, está cada vez mais raro encontrar nas gerações posteriores valores morais na mesma proporção que eles tinham e nos ensinaram. Parabéns pelo excelente texto.
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