Tribuna do Norte - A espera indefinida é parte da sina de quem precisa de uma cirurgia ortopédica na rede pública de saúde. Com um conjunto de hospitais que não consegue atender a demanda para esse tipo de procedimento, o drama de quem aguarda por uma solução se acumula nos leitos e corredores do principal hospital do Rio Grande do Norte. Até ontem, 101 pacientes estavam internados no Walfredo Gurgel com fraturas nos ossos e necessitavam de uma cirurgia.
Só nos corredores do Pronto-Socorro Clóvis Sarinho havia, pelo menos, 20 pessoas estão internadas. Um deles é o servente de pedreiro Raimundo da Silva Miranda de 54 anos. Residente em Extremoz, ele foi levado para a maior unidade hospitalar do RN depois de sofrer um acidente de moto na tarde do dia 25 de dezembro passado. Resultado: fratura em três pontos de uma das pernas. Desde então, Raimundo espera, num correndo sem ar condicionado e abafado, que seu problema seja resolvido. “Tão dizendo que a cirurgia é difícil pra sair. Só tem lá no hospital de Parnamirim [Hospital Estadual Deoclécio Marques]”, disse enquanto se abanava com um pedaço de papelão.
Aliás, ele não é o único que conseguiu um abanador improvisado. Todos os pacientes e acompanhantes do corredor reclamavam do calor. Em outros pontos, o ar condicionado funciona normalmente. Além de aguardar 14 dias pela cirurgia, os pacientes e os acompanhantes não recebem qualquer previsão da cirurgia. Raimundo Miranda afirma que sente dores na perna fraturada frequentemente. Nem os remédios conseguem amenizá-las. Vale lembrar que a demora para a realização de cirurgias ortopédicas pode deixar sequelas definitivas. “Isso aqui é uma calamidade. A gente paga tão caro nosso imposto e é tratado como bicho”, acrescentou o servente de pedreiro.

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